O que uma informação errada pode causar em uma obra residencial.
- Michelle Covacho de Medeiros
- há 5 horas
- 3 min de leitura

Há muito tempo eu queria vir aqui compartilhar bastidores reais de uma obra. E essa história começa exatamente com essa frase que passou pela minha cabeça quando vi um vídeo chegando no grupo da obra.
Obra é um ambiente sensível. Mesmo quando existe um projeto bem estruturado, uma equipe alinhada e um cliente colaborativo, dúvidas acontecem. Expectativas existem. E nós trabalhamos duro todos os dias para que o resultado final seja o melhor possível.
Mas existe algo que acontece com muita frequência nas obras e quase nunca de forma consciente: a confiança irrestrita em qualquer opinião técnica que surge pelo caminho.
Em muitas obras, especialmente aquelas sem acompanhamento de arquitetura e engenharia, o processo funciona de forma mais informal. As decisões vão sendo tomadas no dia a dia, com base em experiências anteriores, opiniões bem-intencionadas e referências pessoais.
O mestre de obra opina. O pedreiro comenta algo que já viu acontecer. Alguém lembra da casa da tia-avó do vizinho que “deu super certo”.
E, de novo, é importante deixar claro: essas pessoas não são o problema. Muitas vezes são profissionais honestos, experientes e comprometidos. O ponto é que ninguém domina tudo e nem deveria.
O problema começa quando uma dúvida vira afirmação, e uma impressão vira diagnóstico. Sem um filtro técnico, sem conferência e sem responsabilidade clara, uma informação mal passada tem um poder enorme de gerar caos.
O que aconteceu nessa obra...
Essa semana, um profissional da nossa equipe encaminhou um vídeo dizendo que todo o revestimento comprado e já parcialmente instalado no banheiro do cliente era de baixa qualidade, que iria encharcar rapidamente e, com o tempo, estragar. Quando eu vi o vídeo, pensei imediatamente: “Que bom que esse vídeo chegou para nós e não para o cliente.”
A informação foi rapidamente conferida, analisada e explicada.
O que parecia um erro grave, na verdade, não era. O revestimento em questão possui uma textura que imita o travertino, e a coloração, que causou estranhamento , não indicava baixa qualidade, mas sim a composição natural do material.
Além da validação da nossa equipe, o piso também foi validado pela equipe técnica da Portobello, marca que, para mim, é referência no mercado de revestimentos.
O caos que foi evitado
Em uma obra sem acompanhamento técnico, essa mesma situação poderia ter tomado dois caminhos muito comuns:
O cliente mandaria trocar todo o revestimento, compraria um novo material e assumiria um prejuízo financeiro significativo.
Ou, como acontece em muitos casos, a responsabilidade cairia sobre a arquitetura, com a acusação de que o material foi especificado errado.
As duas situações geram transtornos desnecessários. Uma gera prejuízo financeiro real. A outra, mesmo que depois fosse esclarecida, gera desgaste emocional, ruído e quebra de confiança.
Inclusive, eu cheguei a perguntar no meu Instagram o que as pessoas achavam que tinha acontecido naquele vídeo. A maioria respondeu que o revestimento havia sido comprado errado. Apenas duas pessoas acertaram o que realmente estava acontecendo.
Isso mostra como é fácil tirar conclusões rápidas dentro de uma obra.
A reflexão que fica
Em ambientes que eu chamo de obras informais , aquelas que não contam com uma equipe técnica de arquitetura e engenharia no gerenciamento esse tipo de desgaste é muito comum.
E o ponto que eu quero deixar aqui é simples: você não precisa gastar o seu tempo, que eu sei que já é escasso , tentando descobrir se a informação que chegou até você é verdadeira, falsa ou se vai te gerar prejuízo.
A rotina já é pesada. A vida já tem prioridades demais.
O processo de uma obra, hoje, precisa ser mais leve. E essa leveza só é possível quando você está acompanhado pelas pessoas certas, que filtram informações, assumem responsabilidades e cuidam do processo por você.
Porque o seu tempo é muito valioso. E o seu dinheiro também.

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